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Você não está sozinho!

“Deus honra nossa fidelidade”
1 de dezembro de 2019
Foto: Solmar Garcia

VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHO!

Drama do suicídio afeta milhares de brasileiros, mas o Evangelho oferece sentido para a existência e esperança de vida nova


Carlos Fernandes


O mês passado marcou mais uma realização do Setembro Amarelo, campanha do Conselho Federal de Medicina e da Associação Brasileira de Psiquiatria, em conjunto com o Centro de Valorização da Vida, para prevenir o suicídio. Com o lema “Você não está sozinho”, a iniciativa visa auxiliar pessoas que cogitam dar cabo da própria vida. E elas são muitas – a média aponta o assustador número de 12 mil pessoas que se matam a cada ano no Brasil. Isso significa que acontece um caso no país a cada 46 minutos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil está em oitavo entre os países com maior número de ocorrências, sendo Índia, China, Estados Unidos e Rússia os quatro primeiros. Quase 1 milhão de pessoas se suicidam todos os anos no mundo. 

Entre os jovens de 15 a 24 anos, o suicídio é a segunda principal causa de morte, depois dos traumas causados por acidentes rodoviários. Essa era, justamente, a faixa etária de Jessyca de Souza Rocha quando intentou contra a própria vida pela primeira vez. Em apenas um mês, foram várias tentativas. Em uma delas, atirou-se do terceiro andar de um prédio. Milagrosamente, quebrou apenas as costelas. Nas outras vezes, ingeriu enorme quantidade de medicamentos e até venenos. “Eu era uma jovem rebelde”, lembra-se ela, que, hoje, é chefe confeiteira. Grávida do namorado, acabou perdendo o bebê, e isso se somou a uma série de transtornos, como o alcoolismo do pai. “Fui uma adolescente deprimida e autodestrutiva. Escutava vozes e me cortava. Já não me importava comigo e bebia demais”.

Jessyca tentou o suicídio diversas vezes até se encontrar com Cristo: “Agora, 
estou feliz!” – Foto: Arquivo pessoal

Essas práticas a levaram ao coma por duas vezes. Jessyca conta que odiava tudo. “Eu praguejava até contra Deus, por permitir que tantas coisas ruins me acontecessem”. Ela chegou a ser internada em um sanatório. Na época, sua mãe, Maria Neuza, frequentava a Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) em Atibaia, cidade paulista onde a família mora. “Comecei a ir lá e sempre havia alguém querendo saber como eu estava e se poderia fazer algo por mim”, destaca Jessyca. O ambiente acolhedor e as pregações começaram a tocar o coração da jovem. Junto a esse amparo, veio a entrega. “Aceitei o que eu não podia mudar e confiei que Deus faria o melhor”. Atualmente, ela está casada, é mãe e estuda Enfermagem. “Estou feliz”, resume. 

Diálogo e acolhimento – Dramas familiares, sentimentos de rejeição e transtornos emocionais, a exemplo dos que afetavam a jovem Jessyca, são apontados pela psicóloga Ana Lucia Pereira como algumas das principais causas de suicídio. “A incapacidade de resolver questões internas e a falta de sentido para a existência podem desencadear pensamentos suicidas”, comenta a terapeuta, membro da IIGD no Riachuelo (RJ). Além dos fatores de risco, muitas pessoas sentem falta de ter amigos e de dividir suas tristezas com alguém. Assim, a morte pode ser vista como um caminho para o fim do sofrimento. 

Para a psicóloga Ana Lucia, ajudar as pessoas a reorganizar suas ideias é fundamental – Foto: Arquivo pessoal

Segundo a psicóloga, conhecer a origem dos problemas e estar atento aos sinais dados pelas pessoas é fundamental para ajudá-las a reorganizar suas ideias, daí a importância de acompanhamento profissional: “Existem inúmeras ações que podem auxiliar na prevenção, como ouvir, dar atenção e não banalizar o sofrimento alheio”.  Por isso, ela considera que a Igreja tem um papel essencial no resgate de vidas. “Muitos não falam por medo ou vergonha. Por isso, é essencial dialogar, falar abertamente – e, se for preciso, encaminhar o caso para acompanhamento psicológico ou mesmo intervenção médica”. 

“Como cristãos, sabemos que todo vazio humano é causado pela ausência de Deus”, frisa a Pra. Vânia Costa, da Igreja da Graça em Lima, no Peru. “Aqui, temos atendido diversos indivíduos desesperados e oprimidos”, aponta. A pastora diz que a ação maligna pode levar à perda do controle sobre o viver. A qualquer um que esteja enfrentando um quadro de transtorno mental Vânia recomenda que busque ajuda e não pense que vencerá essa luta sozinho. “Creio que, como Igreja de Cristo, devemos levantar um clamor para que os olhos do entendimento desta geração sejam abertos. Assim, ela conhecerá o Senhor e poderá ser preenchida pelo Seu amor”. 

A Pra. Vânia, da IIGD em Lima, no Peru: “Como Igreja de Cristo, devemos levantar um clamor a Deus” – Foto: Arquivo pessoal

A solidão era justamente um dos dramas do microempreendedor Jefferson da Silva Avelino, de São Paulo, hoje com 30 anos. Sua rotina era uma sucessão de baladas, libertinagem e consumo de drogas.  “Eu vivia no mundão, mas não conhecia a felicidade”, reconhece. Certa ocasião, após um fim de semana inteiro se drogando, começou a ter pensamentos estranhos: “A ideia de que a morte era a única saída invadiu a minha mente”, recorda-se. Assim, Jefferson resolveu tomar todos os remédios que encontrou e, com uma faca, cortou os pulsos. Quando o irmão chegou, viu as marcas de sangue. Quando estava internado e sem saber o que fazer, uma enfermeira foi ao encontro dele. “Ela me falou que Jesus me amava”. Após receber alta, Jefferson ainda enfrentou crises, mas a Palavra já estava semeada em seu coração e frutificou no devido tempo: “Fui à Igreja da Graça e aceitei Jesus”, comemora. Cinco meses depois, passou pelo batismo. “Estou casado, e o Senhor me abençoou com casa, carro e um bom trabalho. Sou grato pelo que Ele fez em minha vida!”

Jefferson agora ama a vida e se dedica ao Senhor – Foto: Arquivo pessoal

“Maior amor” – Osuicídio é algo antigo.“Ele sempre esteve presente em todas as épocas e culturas”, observa o Pr. Anselmo Battistella, da IIGD em Buenos Aires, na Argentina. Ele conhece bem o drama, e não só como ministro do Evangelho. Aos 16 anos, Anselmo viu seu único irmão, um jovem inteligente e promissor, matar-se com a arma do pai, um policial militar. A família ficou devastada. “Convivemos com a culpa por bastante tempo”, conta. Somente o Senhor promoveu a restauração necessária. 

Pr. Anselmo Battistella: o amor de Deus é a melhor solução para as angústias da alma – Foto: Divulgação IIGD

A quem o procura para aconselhamento espiritual o pastor orienta que não desperdice o maior amor de todos: o de Deus. “Diante das dores da alma, procuro ser paciente e levar a pessoa a entrar em outro universo”. Diante de patologias mentais, ele costuma recomendar apoio médico, mas entende que a oração vale para todas as situações. “Quando alguém abre o coração para ser liberto, o resultado é imediato. O mal sai em Nome de Jesus”.


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