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Arregaçando as mangas na obra do Senhor

Durban para Cristo
Coração valente
Foto: Rodrigo Di Castro

ARREGAÇANDO AS MANGAS NA OBRA DO SENHOR

No Brasil e no exterior, milhares de pessoas têm experimentado a bênção de servir ao Senhor voluntariamente na IIGD


Carlos Fernandes


O próprio Senhor Jesus recomendou que Seus servos fossem pelo mundo fazendo novos discípulos. Nos tempos da Igreja primitiva, os salvos eram motivados a servir uns aos outros, tendo como base a comunidade local. Somente assim, com a cooperação de apóstolos, diáconos, evangelistas, mestres, entre outros, a obra se estabeleceu, cresceu e ganhou almas para Cristo. Herdeira desse pioneirismo, a Igreja Protestante, desde seu surgimento, no século 16, tem, no voluntariado, o motor que a impulsiona a produzir frutos para o Reino de Deus. Se a própria Bíblia enfatiza que o trabalhador é digno de seu salário – inclusive, muitos que se dedicam ao ministério de maneira integral são remunerados por isso –, é grande a satisfação daqueles que, mesmo mantendo suas atividades profissionais, realizam diversas funções em sua Igreja local, sem serem remunerados.

Em todas as igrejas evangélicas, é possível encontrar, a cada culto, encontro e atividade, uma força de trabalho coesa, unida no propósito de servir aos santos, como destaca Hebreus 6.10. Essa passagem enfatiza que Deus não é injusto para se esquecer da ação e do amor que essas pessoas demonstram pelo Seu Nome. Nos milhares de templos da Igreja Internacional da Graça de Deus, no Brasil e no mundo, homens e mulheres, jovens e idosos, com as mais variadas origens, experiências espirituais, profissões e realidades familiares, têm posto a mão no arado, como disse Jesus em Lucas 9.62, na versão revista e atualizada da Bíblia. Eles não esperam reconhecimento ou recompensa financeira; querem somente servir a Deus e aos irmãos com o seu melhor. E, embora seja um desafio conciliar afazeres pessoais e profissionais com as tarefas voluntárias na IIGD, esses irmãos garantem que vale a pena o esforço.

O Pr. Antuzio: “Minha recompensa são as almas ganhas para Jesus” – Foto: Arquivo pessoal

No início dos anos 1980, o militar reformado, hoje pastor, Antuzio Augusto de Oliveira, 67 anos, conheceu o Evangelho. “Estava vivendo um momento conturbado”, lembra-se. Ele havia se mudado, com a família, de Macapá (AP) para o Rio de Janeiro, e a diferença de clima fez com que os filhos adoecessem. Certo dia, estimulado pelo programa do Missionário, ele começou a se deslocar da Vila Militar, na zona oeste do Rio, onde morava, para o templo da Igreja da Graça situado em Madureira, bairro da zona norte da mesma cidade. “Lá, aprendi bastante sobre a Palavra e a vida cristã.”

As constantes transferências, próprias da carreira no Exército, levaram Antuzio e sua família a viver em várias regiões do país. Anos depois, em Roraima, ele deixou os cultos presenciais, mas continuou acompanhando os programas por parabólica, lendo a Palavra e praticando os ensinamentos recebidos. Quando se tornou inativo das Forças Armadas, ele pôs em prática um antigo desejo. “Eu me preparei, por 12 anos, para ser um empresário do setor rural”, recorda-se. “Adquiri terrenos e búfalos para montar uma fazenda”. Porém, nada corria conforme o previsto. Antuzio entende que o Senhor tinha outros propósitos para ele. “Uma vez, na TV, o Missionário apontou o dedo para a tela e disse: Deus quer você ganhando almas!”.

Quando passou a congregar na IIGD em Macapá, Antuzio se envolveu completamente com a seara do Mestre. Os animais foram vendidos, e a ideia de empreender no agronegócio cessou. Contudo, ele ganhou muito mais na presença divina. Após quatro meses de participação nos cultos, Antuzio se tornou obreiro. Nesse período, o pastor lhe perguntou se queria começar a pregar. “Simplesmente, respondi: Estou aqui!”, comenta Antuzio. O ministério engrenou e, a partir daquele momento, o Senhor o tem usado em mensagens, oração, aconselhamento e diversas atividades no templo do bairro Brasil Novo, na capital do Amapá. Antuzio foi consagrado pastor em 2010 e exerce atividade voluntária. “Deus nos sustenta”, afirma. “Sempre fiz tudo com amor e dedicação, pela graça”. Segundo ele, a recompensa é espiritual: “São almas ganhas para Jesus”.

Roseane (à direita) concilia o tempo entre a profissão e o serviço ao Senhor – Foto: Arquivo pessoal

Para a auxiliar administrativa Roseane Silva de Souza, de Manaus (AM), o chamado para a obra, de maneira direta, veio após a cura de um nódulo no seio. “Naquele momento, quis fazer mais para Deus”, conta. Nessa época, o pastor pediu que quem desejasse participar do curso de obreiro se apresentasse. “A partir dali, eu me envolvi mais e mais”. Roseane foi assumindo responsabilidades na Igreja da regional Tancredo Neves, onde atua. “Sou líder de obreiros, coordeno o ministério Mulheres que Vencem e participo de ações sociais com as crianças de nossa região”, enumera.

Com a semana envolvida nessas missões, Roseane precisa de disciplina para conciliar o ministério com o emprego. “Meu expediente na empresa é de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Saio de lá e vou à Igreja ajudar nos cultos. Tem sido gratificante!”, explica. Ao buscar o Senhor em primeiro lugar, ela tem visto que as demais coisas lhe têm sido acrescentadas. “Deus acrescentou na minha vida bênçãos materiais. Eu estava endividada com valores altos que, aos olhos humanos, não conseguiria pagar – inclusive, com crédito negativado.”

Roseane conseguiu quitar todas as dívidas e até comprou um carro. Além disso, seu emprego não a impede de servir a Deus, aos irmãos na fé e à Igreja. “Hoje me sinto completa em realizar a obra. Costumo dizer aos demais irmãos que me ajudam: o que aprendemos na casa de Deus pode ser levado para a nossa vida profissional, familiar, sentimental e espiritual, pois Ele nos retribui em bênçãos.”

Força essencial

“O próprio Evangelho me motiva a servir ao Senhor voluntariamente”, ensina o Pr. Juarez da Hora, que exerce seu ministério junto à IIGD em Parede, Cascais, em Portugal, há cinco anos. Sua atuação é subordinada à do Pr. Leandro Machado, dirigente da Igreja no país. Para Juarez, o exercício pastoral é a realização de um sonho: “Na minha trajetória, essa prática acresce mais fé e coragem, além da responsabilidade pelo fato de estar cuidando de pessoas”.

Empresário nas áreas de Construção Civil e Telecomunicações, o pastor ganha seu sustento com esses setores. Assim como Roseane, ele tem conseguido se dedicar ao pastorado sem outras preocupações que não a entrega total ao Senhor. “Nos dias de culto, não penso no trabalho, pois aqueles dias são para a obra.”

“Nos dias de culto, não penso no trabalho”, garante o Pr. Juarez da Hora – Foto: Arquivo pessoal

A liderança da Igreja da Graça considera esse voluntariado essencial para a continuidade do ministério, iniciado há mais de 40 anos pelo Missionário R. R. Soares. “Esses irmãos são fundamentais para que a obra seja feita”, resume o Pr. Rogério Postigo, dirigente da Igreja no Rio de Janeiro. Ele se refere aos milhares de homens, mulheres, jovens e idosos que, voluntariamente, visitam hospitais e presídios, evangelizam, servem alimentos a moradores em situação de rua e atendem às necessidades da casa do Senhor. “Quando me tornei obreiro voluntário, para fazer essas e outras tarefas, percebi o quanto era gratificante ser usado por Deus para abençoar vidas.”

Rogério ressalta que, ao conhecermos o amor do Pai, entendemos a necessidade de amar nossos semelhantes como a nós mesmos. “Desde os tempos bíblicos, como é relatado em Atos dos Apóstolos, a Igreja busca pessoas idôneas e tementes a Deus, para servirem aos irmãos em Cristo e ao próximo”. A IIGD oferece várias opções àqueles que desejam obedecer ao apelo do Reino de maneira efetiva. “Temos o curso do novo convertido, para os recém-chegados, e o de evangelismo, para os que sentem o chamado do Senhor para falar do amor de Deus”. O passo seguinte é o preparatório de obreiros, para quem já tem um tempo no ministério e se sente convocado para essa missão.

O Pr. Rogério Postigo reconhece a força do voluntariado na IIGD: “Bons frutos para o Senhor” – Foto: Rodrigo Di Castro

Rogério Postigo menciona o texto de Efésios 4.11, a fim de estimular o cristão a encontrar seu espaço na seara do Mestre: “O Senhor deu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores”. Tudo visa ao aperfeiçoamento dos santos para o ministério e a edificação do Corpo de Cristo. Até que, conforme nos ensinou Paulo, todos cheguem à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus; à condição de varão perfeito. O pastor conclui sua fala estimulando os crentes a se envolverem com a obra do Pai neste mundo. “Assim fazendo, viveremos esse aperfeiçoamento e daremos frutos, como Jesus nos ensina.”

Satisfeita em servir

Servindo ao Senhor há sete anos na IIGD nos Estados Unidos, onde vive com a família, a cantora e compositora Joy Verzolla, 44 anos, tem usado seu talento no Reino. “Já fui do ministério infantil, tenho servido no louvor e, mais recentemente, durante a pandemia, também no Ministério Fé e Ação, onde oramos com a nossa comunidade e distribuímos alimentos”, destaca. “O amor me motiva a servir com alegria!”, acrescenta. Joy acredita que, para seguir o chamado do Senhor, é preciso deixar-se guiar pelo Espírito Santo. Ela nunca foi remunerada para realizar tais tarefas, mas se diz satisfeita.

“A vida cristã é exercida no nosso cotidiano”, continua Joy. Ela atua na Igreja, de duas a três vezes por semana, e dá graças a Deus por Ele lhe possibilitar cuidar do marido e dos três filhos, que também estão na Igreja da Graça em Boston, e trabalhar como compositora e cantora. “Sempre priorizo servir a Deus em tudo o que faço”.

Liberto do álcool, o obreiro Rui Cardoso se orgulha do envolvimento nas atividades da IIGD – Foto: Arquivo pessoal

Hoje obreiro na IIGD em São Victor, no bairro carioca de Santíssimo, o auxiliar administrativo, Rui Cardoso, tem feito da sua atividade a serviço do Reino uma motivação para viver e demonstrar sua gratidão ao Senhor. Rui foi liberto do álcool na Igreja da Graça, em 2008. “Frequentei os cultos por um ano, e a Palavra foi entrando em meu coração”. O ambiente cristão despertou nele o desejo de realizar mais. “Deus me tocou para ajudar as obreiras a limpar o templo, algo que eu já fazia em minha vida profissional.”

Ele começou ajudando aos sábados, seu dia de folga. No entanto, Rui acabou se envolvendo além do que imaginava. Ali, naquele clima de comunhão com Deus e os irmãos, o Espírito Santo agiu em sua vida. “Ouvindo a pregação e lendo a Bíblia, compreendi que Jesus veio salvar os perdidos e curar os doentes. Assim, fui liberto”. Rui foi batizado e começou a ajudar no evangelismo.

Joy Verzolla, da IIGD em Boston (EUA): talentos dedicados ao Reino de Deus – Foto: Arquivo pessoal

Dali a se tornar obreiro foi um pulo. “Deus me chamou. Certa noite, orando, o Senhor me disse que queria me dar mais, porém eu teria de fazer a Sua obra”. A liderança local perguntou se ele queria ser obreiro. Rui explica que, a princípio, não queria; desejava apenas continuar ajudando. “Fiz o curso de obreiro em 2011 e estava pedindo a Deus uma esposa e a restituição do meu emprego na Procuradoria Federal, onde eu trabalhava”. Rui Cardoso relata que, com as mudanças no serviço público, no início da década de 1990, foi afastado de seu cargo. “Aos olhos naturais, aquela era uma situação impossível de reverter”, reconhece.

O zelo pela casa do Senhor, demonstrado pelo próprio Jesus quando esteve entre nós, era o maior exemplo de Rui. Além da limpeza, ele passou a exercer várias atividades nos cultos, como atendimento na portaria, evangelismo, oração e participação nas ações sociais e visitações, até mesmo fora do Rio de Janeiro. Como sinal de que uma vida dedicada ao Evangelho é recompensada pelo Pai, Deus cumpriu as Suas promessas. O cargo público foi recuperado, e Rui Cardoso encontrou sua esposa, a qual ele chama, carinhosamente, de “varoa” e também é evangelista. “O que faço na Igreja da Graça é muito pouco, se comparado ao que o Senhor me dá. Quem bota a mão no arado não pode voltar atrás”, ensina ele, lembrando-se da famosa advertência de Jesus no livro de Lucas.


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