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Foto: Rodrigo Di Castro

COM JESUS NO BATENTE

Profissionais cristãos de várias áreas falam da bênção de exercer seu ofício sem perder de vista o Reino de Deus


Carlos Fernandes


Desde a queda no Éden, uma sentença divina tem acompanhado a humanidade ao longo dos milênios: No suor do teu rosto, comerás o teu pão (Gênesis 3.19, parte a). A determinação do Criador foi uma espécie de marco zero do labor humano. Se, no estado de inocência, a natureza fornecia graciosamente tudo de que Adão e Eva necessitavam para uma sobrevivência farta, a partir da desobediência, somente o próprio esforço proveria o sustento de cada um. Por essa razão, é comum ver muitas pessoas considerando o ato de trabalhar como um castigo, uma maldição a ser carregada, que rouba a melhor parte da vida e nem sempre traz recompensa justa. Já nos primeiros capítulos da Bíblia, vemos as mais diversas ocupações – agricultura, pecuária, mineração, prestação de serviços, transporte e comércio – sendo usadas para gerar renda. A História seguiu seu curso, e a humanidade tem ocupado os setores produtivos com um objetivo principal: uma sobrevivência digna e honesta, em que cada pessoa, mediante suas possibilidades e aptidões, exerce seu papel no mercado.

É justamente nessa variedade de ocupações que reside a beleza, pois os trabalhadores estão interligados e são interdependentes: o comerciante vende produtos à dona de casa, que utiliza o serviço de um motorista para consultar o médico, que, por sua vez, precisa do zelador do edifício onde mora, e este leva o alimento para casa após ser atendido pelo caixa do supermercado, que comercializa produtos oriundos dos lavradores, e assim por diante. Dessa forma, a economia se movimenta, e a riqueza é produzida. Cabe ao próprio profissional fazer de sua ocupação mais que um dever, sendo ainda motivo de prazer e contentamento. No tocante aos cristãos, essa relação é até mais especial, porque muitos textos bíblicos recomendam aos servos do Senhor que façam tudo o que lhes vier às mãos com diligência, para a glória de Deus. É o caso do catarinense Silvano Amauri dos Santos, 65 anos, experiente oficial de farmácia. “Hoje, trabalho por prazer e amor à profissão”, orgulha-se. Seu estabelecimento, na cidade de Florianópolis (SC), é bem estruturado, fruto de anos de exercício profissional aprendido com o pai. Tanta tradição é medida pela procura – a farmácia de Silvano recebe até clientes de outros municípios.

Silvano em sua farmácia: muitos anos de fé e dedicação  Foto: Arquivo pessoal

O comerciante conheceu o Evangelho há 45 anos, mas, em 2008, ouviu a voz de Deus, de maneira marcante, durante um programa do Missionário R. R. Soares. “Nessa época, eu estava passando por uma crise”, conta. Tempos depois, tornou-se membro da Igreja Internacional da Graça de Deus e compreendeu a dimensão da fidelidade ao Senhor na questão financeira. “Sou fiel na entrega do dízimo e contribuo para a obra”, frisa Silvano. “Desde então, recebi muitas bênçãos, e não só na área financeira”. Diariamente, ele busca praticar um papel missionário: “Procuro orar pelos clientes. Certa vez, recebi um homem para fazer curativo na orelha; a lesão foi provocada pelo câncer. Perguntei a ele se aceitava uma oração. Quando me disse que sim, ficou curado na mesma hora e aceitou Jesus como Salvador”. Na rotina de Silvano, a fé é elemento essencial: “Falo do amor de Deus para os clientes e os funcionários.”

A advogada Larissa Valéria de Souza Domingos Pereira, 34 anos, tem em comum com Silvano o entendimento de que, em sua profissão, pode e deve testemunhar a respeito de sua fé. “Sou especializada em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Escola de Magistratura do Trabalho e milito nas áreas de Família, Cível e Trabalhista”, revela. Tanta capacitação faz dela uma profissional respeitada e requisitada, inclusive em parcerias com escritórios de advocacia, empresas e servidores públicos. “Amo o que faço”, resume. Larissa iniciou a carreira em 2014, dois anos depois de ter um encontro com Cristo. Desde então, a advogada frequenta o templo sede da IIGD em Natal (RN). “Por meio dessa obra, conheci a verdade que mudou a minha vida e tem transformado a minha família. Ano passado, atendi ao chamado do Senhor, fiz o curso e, de lá para cá, sou obreira.”

A advogada Larissa, de Natal (RN): “Meu trabalho glorifica ao Senhor” Foto: Arquivo pessoal

Larissa crê que Deus a colocou na carreira jurídica. “Assim, pude estudar e me aprofundar em determinados assuntos, para, da melhor forma, solucionar os problemas dos meus clientes. Isso é encorajador e edificante”. Ela se define como uma advogada cristã, e seus clientes sabem disso: “Durante as consultas, meu posicionamento é claro. Não há meias-verdades quanto à minha posição, e já deixei de fechar alguns contratos em razão disso”. No entanto, ela não entende esse fato como perda: “Há diferenças entre aquele que serve a Deus e quem não serve. Até aqui, tenho desfrutado do favor do Senhor”, garante. Por isso mesmo, Larissa nunca exclui a dimensão sobrenatural do que faz. “Procuro mostrar para o cliente que é graças a Deus que vencemos uma causa, e eles concordam. Meu trabalho glorifica o Senhor.”

POLIVALENTE”

O apóstolo Paulo, um dos mais destacados líderes do Novo Testamento, deixava clara a necessidade de o cristão ter disposição para o trabalho. Ele mesmo, embora fosse pregador e missionário itinerante, fazia tendas – para não ser, conforme suas próprias palavras, pesado para ninguém. Escrevendo à igreja em Tessalônica, no capítulo 3 de sua segunda epístola, Paulo repreende aqueles que queriam viver às custas dos outros irmãos: Se alguém não quiser trabalhar, não coma também. […] Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes, fazendo coisas vãs. A esses tais, porém, mandamos e exortamos, por nosso Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando com sossego, comam o seu próprio pão.

O motorista Israel Ventura, de 61 anos, morador de Porto Velho (RO), diz-se polivalente: “Já fiz de tudo nesta vida”, diverte-se. “Trabalhei em hidrelétrica, como operador de máquinas, e fiz um curso de técnico em Segurança do Trabalho, mas não pude exercer a profissão por causa de um problema de saúde”. Apesar disso, Israel não fica parado. Atualmente, é auxiliar no mercado de um amigo. “Faço entregas, pago encargos e realizo compras”, enumera. Dependendo da natureza do serviço, Israel vai de carro ou de moto e enxerga, nessas atividades, muito mais do que um ganha-pão: “Esse ir e vir constante me dá acesso a muitas pessoas, e, quando posso, aproveito para falar sobre a obra de Deus.”


Mobilidade do serviço tem dado a Israel Ventura a chance de evangelizar Foto: Arquivo pessoal

Quem o vê hoje, com tanta responsabilidade, não faz ideia de sua conturbada trajetória. “Eu era um beberrão e cheguei a fumar maconha”, confessa. Tudo começou a mudar quando a Palavra entrou em sua mente e no seu coração. Há dez anos, ele é membro da Igreja da Graça e frequenta as reuniões no templo situado no centro de Porto Velho. “Temos de perseverar na caminhada da fé”, afirma. “Deus tem me dado inspiração para falar daquilo que Ele fez em minha vida”. Assim, Israel aproveita a mobilidade que o serviço lhe proporciona para semear o Evangelho. “Há pessoas que vieram para a Igreja por meio dessa atividade. Uso as mensagens das redes sociais e dos livros do Missionário”, informa, satisfeito.

Essa disponibilidade de Ventura para cumprir o Ide de Jesus vem ao encontro do texto de Colossenses 3, versículos 23 e 24: Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens, sabendo que recebereis do Senhor o galardão da herança, porque a Cristo, o Senhor, servis. É o que destaca o Pr. Rafael Huppes Plassini, da Igreja da Graça em Indaial (SC). “O cristão é servo de Cristo inclusive no emprego”. No caso dele, duplamente, pois atua como ministro do Evangelho em tempo integral. “A prioridade de um pastor é cuidar de almas, estar disponível para orientar os membros e os visitantes da Igreja no caminho da fé em Cristo – o que parece simples, mas é uma tarefa árdua, porque vai além do púlpito. Para ministrar a Palavra e atender pessoas, há uma vida de consagração, oração e estudo bíblico”, pondera. “Além da dedicação espiritual, o pastor administra a igreja, pois há compromissos financeiros a serem honrados e uma equipe de obreiros que precisa ser acompanhada para o bom andamento da congregação.”

Rafael Huppes, ministro do Evangelho em tempo integral: pastorado é árduo  Foto: Arquivo pessoal

Embora o púlpito não seja, na plena acepção da palavra, um local de trabalho, para um pastor de dedicação exclusiva, é necessário aptidão – como acontece em todas as ocupações humanas. O Pr. Rafael se converteu aos 15 anos de idade – hoje, tem 34, é casado e tem uma filhinha – e logo demonstrou interesse pelas mensagens pregadas pelo Missionário: “Eu as acompanhava diariamente, fazendo anotações”, lembra-se. Ele começou a frequentar as reuniões e foi batizado, mas queria algo mais. Por cerca de oito anos, serviu como obreiro e, após completar os estudos, foi despertado para o ministério, incentivado pelo pastor. “Relutei por um tempo, mas fui ‘vencido’ pela Palavra e aceitei o chamado aos 23 anos”. Portanto, já são mais de dez anos de uma experiência espiritual e profissional bem-sucedida.

DIREÇÃO CERTA

Estar atento a novas possibilidades e não hesitar em mudar de ramo, caso seja necessário, são duas das principais recomendações dos experts em mercado de trabalho e recolocação profissional. Afinal de contas, o tempo em que um funcionário iniciava na empresa como contínuo, passava a escriturário, era promovido a encarregado de seção e terminava a carreira, décadas mais tarde, como gerente parece ter ficado para trás. Hoje, o que se espera do profissional é versatilidade, disposição para desafios e capacidade de adaptação. A administradora de empresas, Keli Cristina Martins Ribas, 43 anos, sabe bem o que é isso. Há seis anos, ela trocou um cargo em uma multinacional para se aventurar em novos mares. “Vi uma oportunidade de empreender em um nicho de mercado então abandonado, o de assistência técnica a proprietários de embarcações”, conta.

A empresária Keli, em uma das embarcações que negocia: atenta às oportunidades e à vontade do Senhor Foto: Arquivo pessoal

Em pouco tempo, o empreendimento ganhou outro rumo. “Os mesmos clientes começaram a nos pedir barcos para comprar, e iniciamos na venda. Como é mais lucrativo vender, paramos com a assistência”, explica a empresária. Hoje, Keli e o marido administram a própria empresa, a Brasil Náutica Yachts, com sede na capital catarinense. Convertida há 19 anos na Igreja da Graça, ela não seguia religião alguma antes disso e entrou no Evangelho de corpo e alma. Keli consegue equilibrar o tempo entre as demandas do comércio de embarcações e a presença nos cultos, onde é ministra do louvor. Sempre que possível, investe nas duas frentes ao mesmo tempo – a empresa e o Reino de Deus. “Pude falar do amor do Pai para um rapaz que estava em uma marina que visitávamos a trabalho. Seu pai havia falecido em decorrência da covid-19, e sua mãe estava muito mal, internada com a mesma doença. Ensinei aquele jovem a orar e repreender o mal”. Um mês depois, em nova visita, Keli Cristina ficou sabendo que seu conselho fora seguido e que a mãe daquele homem estava curada.

Cheia de fé e disposição, ela sabe que as promessas do Senhor são de bênçãos, cabendo a cada um fazer a sua parte para que elas se concretizem. Por isso, espera o melhor de Deus em sua vida profissional. “Ainda não alcançamos nosso objetivo final, pois aguardamos um melhor momento para investir mais. Porém, estamos satisfeitos em ver como o Pai tem nos honrado. Estamos prosperando, pois o Senhor nos dá a direção correta.”


2 Comments

  1. NEIDE BARROS FERREIRA disse:

    Tenho muito prazer em ser patrocinadora dessa obra maravilhosa
    OBRIGADA JESUS🙏

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